Este é um espaço de divulgação, discussão e reflexão acerca dos mais variados e distintos textos, verbais ou não. Afinal, a literatura e a língua estão expressas sob diversas formas, que nos conduzem ao conhecimento, inclusive de nós mesmos. Bem vindo!

domingo, 27 de março de 2011

Você tem medo de dizer eu te amo?

Este vídeo me foi indicado pela querida Josiele. Gostei tanto que vou postá-lo aqui no blog e dividí-lo com vocês! 
A mensagem é sobre esta palavrinha mágica capaz de transformar  vidas, nos fazendo sentir melhores e amados a cada dia. O amor pode estar escondido aonde menos se espera. E para todos que tem esta oportunidade magnífica, digo: Apenas ame!  E percam o medo.
 

Caso de Canário

Esta crônica do Drummond é interessante, pois mostra o sofrimento de uma família que não quer ver o canário sofrer, mas ao mesmo tempo, não ousa praticar o ato infame de sacrificá-lo, por terem todos se apegado ao bichinho. A linguagem é bem próxima da fala e da oralidade, acredito que ocorre por conta de ser um fato corriqueiro, característica essencial de uma boa crônica. O título desta é o mesmo da postagem.
 
Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
- Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de socrificar o pobrizinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
- Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
- Porque não tem cura, o médico disse. Pensa que não tentamos tudo? É pra ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom; vá.
O sogro, a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
- Vai , meu bem.
Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona, e dói ver a lenta agonia de um ser tão gracioso, que viveu pra cantar.
- Primeiro me tragam um vidro com eter, e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos, no pescoço.
E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrficador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar pra casa nem pra dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
- Ui!
Não é que o canário tinha ressucitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
- Ele estava precisando mesmo era de éter - concluiu o estrangulador, que se sentiu ressucitar, por sua vez.

Carlos Drummond de Andrade
 

Intertextos

Há um tempo, postei uma crônica "Para Maria da Graça", dedicada a todos aqueles que desta gostassem. Hoje, mostrarei um vídeo com a canção "Somos quem podemos ser", do grupo Engenheiros do Havaí, que parece ter sido composta sob a influência desta crônica de Paulo Mendes Campos. 
Não posso dizer que assim ocorreu, mas o fato é que a coincidência de estilo, temática e linguagem são muito semelhantes entre a crônica e a letra da canção. Inclusive, para os amantes e professores de literatura, fica a dica de se trabalhar o intertexto entre as duas composições.

 

Humor


Partido apresenta discurso político de duplo sentido.

Nosso partido cumpre o que promete.
Só os néscios podem crer que
Não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
A honestidade e a transparência são fundamentais
Para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
As máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
A justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
Se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
Nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
Os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

(Agora, leia o mesmo discurso linha por linha, de baixo para cima!)

Não se espante!  A palavra discurso tem, por convenção, o intuito de dizer o que foi dito sem ter sido falado, cerceado por uma intencionalidade, marcada  pelo momento histórico, social e econômico em que é proferida. 
Discurso é o contrário do que foi dito, aquilo que fica no ar, por isso o temos, enfaticamente, na política, que alguns preferem nomear politicalha. 
 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Qual sabor?

Eu me considero espírita, apesar de simpatizar com todas as religiões, pois tenho paixão pelas canções evangélicas, que estão em alta no mercado, e também gosto muito do padre Fábio de Melo, que é católico. A canção que escolhi postar tem um significado especial para mim porque a conheci por meio de um depoimento de um querido amigo, Weliton.  
Quando estou meio triste, ouço-a. Sabor de Mel, da Damares. E para aqueles que acreditam que isso não tem nada a ver com literatura, digo que estas são também letras essenciais porque nos falam de espiritualidade, muito necessária neste mundo tão complexo e egocêntrico.

 SABOR DE MEL
 
O agir de Deus é lindo
Na vida de quem é fiel
No começo tem provas amargas
Mas no fim tem o sabor do mel
Eu nunca vi um escolhido sem resposta
Porque em tudo Deus lhe mostra uma solução
Até nas cinzas ele clama e Deus atende
Lhe protege, lhe defende
Com as suas fortes mãos
Você é um escolhido
E a tua história não acaba aqui
Você pode estar chorando agora
Mas amanhã você irá sorrir

Deus vai te levantar das cinzas e do pó
Deus vai cumprir tudo que tem te prometido
Você vai ver a mão de Deus te exaltar
Quem te vê há de falar
Ele é mesmo escolhido
Vão dizer que você nasceu pra vencer
Que já sabiam porque você tinha mesmo cara de vencedor
E que se Deus quer agir ninguém pode impedir
Então você verá cumprir cada palavra que o Senhor falou

Quem te viu passar na prova e não te ajudou
Quando ver você na benção vão se arrepender
Vai estar entre a platéia e você no palco
Vai olhar e ver Jesus brilhando em você
Quem sabe no teu pensamento você vai dizer
Meu Deus como vale a pena a gente ser fiel
Na verdade a minha prova tinha um gosto amargo
Mas minha vitória hoje tem sabor de mel

Tem sabor de mel, tem sabor de mel
A minha vitória hoje tem sabor de mel
Tem sabor de mel, tem sabor de mel
A minha vitória hoje tem sabor de mel

Deus vai te levantar das cinzas e do pó
Deus vai cumprir tudo que tem te prometido
Você vai ver a mão de Deus te exaltar
Quem te vê há de falar
Ele é mesmo escolhido
Vão dizer que você nasceu pra vencer
Que já sabiam porque você tinha mesmo cara de vencedor
E que se Deus quer agir ninguém pode impedir
Então você verá cumprir cada palavra que o Senhor falou

Quem te viu passar na prova e não te ajudou
Quando ver você na benção vão se arrepender
Vai estar entre a platéia e você no palco
Vai olhar e ver Jesus brilhando em você
Quem sabe no teu pensamento você vai dizer
Meu Deus como vale a pena a gente ser fiel
Na verdade a minha prova tinha um gosto amargo
Mas minha vitória hoje tem sabor de mel

Tem sabor de mel, tem sabor de mel
A minha vitória hoje tem sabor de mel
Tem sabor de mel, tem sabor de mel
A minha vitória hoje tem sabor de mel ( 2x )

Minha vitória hoje tem sabor de mel ( 2x )

Sabor de mel...

terça-feira, 22 de março de 2011

Amor segundo Shakespeare

 
Soneto CXVI

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare

Saudade...

MEUS OITO ANOS


Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor! 

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


Casimiro de Abreu